Nenhures, por JOSÉ CARLOS BRANDÃO

NENHURES

Como um tigre, a manhã se aproxima.
Arma o bote diante do abismo.
Que universo é este?
Que Deus me guia?

Mastigo estrelas quentes como brasas,
me queimam a língua, como uma palavra.
Saco a morte do bolso,
atiro contra o enigma.

Carrego a minha cruz às costas, com galhardia.
Beijo a cruz como aos lábios de uma mulher.
O demônio me bafeja o calcanhar,
me cega os olhos cansados do caos cotidiano.

A árvore da eternidade tem as raízes para o ar.
Pássaros voam com ramos verdes no bico,
e caem pesados, estupefatos.
As águas vão e voltam, inúteis.

Além do véu
e dentro do espelho,
conheço quem sou: ninguém.
Espectro de outrem me habita.

2 comentários:

daga disse...

este poema tem muito senso apesar de não ser suposto ;)
por mim pode continuar a aparecer aqui - reflecte a alma de um poeta e os poetas não têm senso!

Wilden Barreiro disse...

gosto do amarelo, mas não em calcinhas. ou melhor, gosto de mulheres - amarelas, inclusive - mas sem calcinha.
de modo que deixo aqui lavrado o meu protesto contra a calcinha (amarela) da árvore da eternidade de raizes pro ar.

abraço

ps - rompi o noivado com uma bananeira que usava absorventes amarelos.