A CAMPANHA

O dia era de chuva. Humidade que se entranha. Sinosite que nos torna complacentes. Idiotas do tempo. Parvos do devir. Os candidatos surgiram. Um era anão. O outro coxo. Um paralítico. O último, estúpido. Uma decisão difícil. Não havia programas. Ninguém se queria comprometer. O debate era sobre o carácter de cada qual. E cada qual tinha menos carácter do que o outro. Aliás, o que o que é carácter? Ninguém sabia. Há muito que ninguém sabia. Alguém tentou uma definição: "Carácter é a constância do Ser; a pobridade da Existência; a afirmação da Grandeza". De repente, o anão ficou coxo e o paralítico ficou estúpido. Hesitantemente a campanha continuou. Agora a discussão era sobre quem tinha inventado a definição. A crise era ser honesto e o défice era uma maravilha da natureza.
(continua)

2 comentários:

Eduardo P.L disse...

Qualquer semelhança, é mera coincidência!

expressodalinha disse...

Nem mais...