CARTAS DE NENHURES ( XXII ) - { Posteriormente reunidas em livro, e largamente reeditadas, ao longo dos séculos, em várias galaxias }

Em Nenhures as pessoas pouco falam.
A comunicação é feita através dos pensamentos. Todos ouvem o que os outros pensam. Os diálogos são quase telepáticos.
Há muita vantagem nesse silêncio. Poucas bobagens são propaladas por via oral.Se escutam poucos ruídos produzidos pelos humanos. Os porcos e bovinos, em Nenhures, são mais prolixos.
As platéias ouvem em absoluto silêncio o silêncio do orador ( digo: pensador ) na tribuna. De quando em quando aplaudem, vaiam, ou se tornam indiferentes. Todos a um só tempo. Tudo quase telepaticamente.
Esta a razão de em Nenhures não haver desonestos ou pulhas. Os pensamentos são logo conhecidos, denunciando seus autores. Não se pensa em nada que seja prejudicial ao próximo, mesmo que este não esteja tão próximo! Os pensamentos ecoam, voam, reverberam.
Os humanos, de Nenhures, tiveram suas orelhas muito diminuidas ao longo dos tempos. Hoje são praticamente dois meros furinhos, sem aba, como nas aves em outras partes da terra. A falta de uso atrofia os membros e membranas. Em compensação  a genitalia masculina se desenvolveu muito. Os pensamentos inteligíveis, constantemente promovem orgias monumentais, de tal maneira livre e espontânea , que a população de Nenhures copula mais do que todas as outras espécies de animais da terra. A cópula não tem o objetivo reprodutivo. É pura diversão, e prazer. Como não há culpa, tão pouco  religião, em Nenhures, todo os humanos são livres e felizes.

5 comentários:

expressodalinha disse...

E elas, que pensam elas?

Eduardo P.L disse...

Jorge,

sei que não é a minha opinião que procura saber, mas enquanto ELAS não respondem, posso dizer que pelo que me foi dado contatar, o número de orgasmos femininos é muito maior, (quase 100%) contra um número pequeno no resto do planeta! As mulheres adoram transar! Não há barreiras tão pouco pré-conceitos! São livres e tomam pírula contra gravidez.
Lá, ninguém tem "dor de cabeça", à noite!

expressodalinha disse...

Mas à noite sou eu que tenho dor de cabeça...

Selena Sartorelo disse...

Olá Jorge,

Em Nenhures o silêncio que não existe na ausência do som.
Coincidente. Enigmático coerente. Sentir a mente,chamar o exercício do pensar de uma espécie de gente.
Instintos abafados, esquecidos, manipulados ou de tanto disfarçados estão em extinção, mas acho com a certeza que concluo sem a pretensão da afirmação a constante dúvida que permeia a concisão. As espécies em transformação. Acabou a era do que se copia. Reecrever a constituição após entender a legislação baseada em experiências do sábios dessa nação.Sentir o pensamento, pensando um sentimento.
Nenhures então?



Beijos

Lizete Vicari disse...

Estou de muda e muda para Nenhures!
Jorge, lá não vais fazer uso das aspirinas! rsrsrs
E, me contaram que não tem vespas por lá!
Beijo!